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Vitrine das Desigualdades Sociais

Não bastasse a segregação social que a dita classe “A” impõe por intermédio de seus condomínios de alto padrão, seus veículos blindados e suas equipes de segurança, agora entra em funcionamento uma nova ferramenta para não misturar o nobre sangue azul. Ferramenta não, melhor dizendo, um novo local. O nome: Shopping Cidade Jardim. Inaugurado há cerca de dois meses, o centro comercial situa-se no bairro homônimo da cidade de São Paulo. A proposta inicial era de um lugar despojado, com exclusividade e sofisticação, que reunisse lojas inéditas em shoppings e até mesmo no Brasil; contando com academias, grifes famosas – não menos que Daslu, Rolex, Louis Vuitton –, livrarias e até um spa – que segundo o portal do shopping será “o maior da América Latina”. Inevitavelmente você se perguntará: “e qual é a novidade disto?”. Ok, já assistimos inúmeras vezes ao desfile dos endinheirados em seus playgrounds protegidos pela placa: “proibida a entrada de subalternos”. O que soa realmente como novidad...

Le Scaphandre Et Le Papillon

Indiscutivelmente, a vida do homem pós-moderno é algo desconcertante. As pressões sociais, a necessidade de uma vida em família, a alienação no trabalho – que, mesmo à revelia de muitos, é sentida pela maioria –, por fim tudo, faz do homem um ser escravizado nas regras e nos costumes de seu meio. Ao mesmo tempo – e em contraponto –, este turbilhão de responsabilidades permite ao ser humano o júbilo de sua existência, pois, é na soma dessas relações – sejam elas positivas ou negativas aos olhos de seu protagonista – que nos caracterizamos como seres civilizados. Esta luta interna, entre fazer o que desejamos e o que efetivamente necessitamos , constipa o ser. E não paramos por aí. Neste emaranhado de imposições e deleites, mesmo com formas inexplicáveis, encontramos em nós um ser oculto, capaz de atitudes que desconhecemos – sejam para um suposto bem ou mal. A tragédia continua sendo a criadora da forma. Sofremos mutações e, no momento em que as águas nos sucumbem e a respiração co...

A Batalha Kirchner

Cento e vinte oito dias depois de um embate truculento com o setor rural e grande parte da sociedade; após protestos de consumidores munidos de panelaços na capital e nas principais cidades argentinas; estradas bloqueadas por caminhões e tratores, reduzindo o abastecimento de alimentos, combustíveis e produtos industriais nas cidades; a prisão do líder ruralista Alfredo De Angeli; a união das classes média e alta em prol do setor agropecuário; e sua popularidade sofrendo ligeira queda de 20%, a presidente Cristina Kirchner sai derrotada na sua tentativa de manter o projeto de lei que aumentou os impostos sobre exportações agrícolas. Irredutível em sua postura, o casal Kirchner fingiu não entender a mobilização social contra a medida, se contrapondo aos protestos e sustentando a lei desde o início do ano. O próprio Néstor Kirchner , presidente do Partido Justicialista, contribuiu ao mobilizar agentes dentro do Senado para conter o alvoroço, fomentando assim o caos nas ruas e a indigna...

Polícia: Segurança da População?

E a vida continua sendo supérflua. Ao menos foi o que os cariocas – e boa parte do país – presenciaram no último domingo, no que se pode chamar de tragédia policial – mais precisamente, tragédia familiar . Alessandra Soares voltava de uma festa com os filhos João Roberto, de 3 anos, e Vinícius, de 9 meses, quando avistou um automóvel Stilo preto, passando em alta velocidade por seu veículo. Cautelosa, Alessandra resolveu encostar o carro, abrindo espaço para uma viatura policial que vinha após o primeiro veículo. Agiu mal. Os policiais deferiram 15 tiros de metralhadora contra os suspeitos, ou melhor, contra a família de Alessandra. Desolada, a mãe chegou a jogar a bolsa dos filhos para fora do carro, tentando alertar os policiais que, acabaram por acertar um tiro na cabeça de João Roberto. Mesmo os militares alegando que o carro de Alessandra ficou entre o fogo cruzado, testemunhas – e as câmeras do circuito interno de um prédio próximo ao local – contrapõem a tese, afirmando que os p...

E por falar em alienação...

"O elemento popular sente , mas nem sempre compreende ou sabe , o elemento intelectual sabe , mas nem sempre compreende e muito menos sente ... O erro do intelectual consiste em acreditar que se possa saber sem compreender e principalmente, sem sentir e estar apaixonado" Gramsci

E agora, Deus?

N o início deste mês, os acusados de extorquirem dinheiro do padre Júlio Lancelotti foram soltos após praticamente 7 meses de prisão. O ex-interno da Febem – atual Fundação Casa – Anderson Marcos Batista, 26, sua esposa, Conceição Eletério, 45, e os irmãos Evandro, 29, e Everson Guimarães, 27, foram indiciados no ano passado por ameaçarem o sacerdote com denúncias falsas de pedofilia. O principal acusado foi Batista, que durante o processo alegou que mantinha relações homossexuais com o religioso desde os 16 anos, chegando a receber cerca de 600 mil do sacerdote – e ter até carros financiados pelo padre. Júlio Lancelotti é conhecido por atuar na Pastoral do Povo de Rua como um dos principais defensores dos direitos de adolescentes infratores. No inquérito, ele afirmou ter ajudado o menor – assim como fez a outros – por diversas vezes após Batista ter saído da Febem, e imaginava que ia poder “tocar seu coração” para o bem, e não para o mal. Porém, o maniqueísmo para separar o joio do tr...

Das representações contemporâneas

"Às vezes acreditamos conhecer-nos no tempo, ao passo que se conhece apenas uma série de fixações nos espaços da estabilidade do ser, de um ser que não quer passar no tempo, que no próprio passado, quando vai em busca do tempo perdido, quer suspender o vôo do tempo." Bachelard *** "Felicidade não é uma coisa, é um pensamento. Não é um fato, é uma invenção. Não é um estado, é uma ação. O princípio do prazer contra o universo, e o universo é mais forte. A felicidade não passa de um sonho cuja realização é absolutamente irrealizável: toda ordem do universo se opõe a ela, seríamos tentados a dizer que não entrou no projeto da criação o homem ser feliz." Ronaldo Arnoni *** O homem do excesso. O homem da ilusão. O homem pretenso a ser livre. Eis o homem pós-moderno! Em nome do excesso vivido nos dias atuais, o homem criou a ilusão de que a felicidade poderia ser tangível, encontrada em qualquer supermercado numa embalagem plástica. No entanto, ao comprarmo...