E a vida continua sendo supérflua. Ao menos foi o que os cariocas – e boa parte do país – presenciaram no último domingo, no que se pode chamar de tragédia policial – mais precisamente, tragédia familiar. Alessandra Soares voltava de uma festa com os filhos João Roberto, de 3 anos, e Vinícius, de 9 meses, quando avistou um automóvel Stilo preto, passando em alta velocidade por seu veículo. Cautelosa, Alessandra resolveu encostar o carro, abrindo espaço para uma viatura policial que vinha após o primeiro veículo. Agiu mal. Os policiais deferiram 15 tiros de metralhadora contra os suspeitos, ou melhor, contra a família de Alessandra. Desolada, a mãe chegou a jogar a bolsa dos filhos para fora do carro, tentando alertar os policiais que, acabaram por acertar um tiro na cabeça de João Roberto.
Mesmo os militares alegando que o carro de Alessandra ficou entre o fogo cruzado, testemunhas – e as câmeras do circuito interno de um prédio próximo ao local – contrapõem a tese, afirmando que os policiais se confundiram. O drástico é que o engano reverberou na morte do menino João Roberto, cerca de 24 horas após o incidente – além do trauma para toda a família. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, concordou que faltou preparo psicológico e operacional aos PM´s, mas infelizmente, sua compaixão não diminuiu a catástrofe. O resultado foi o esperado: polícia despreparada, somada à cidade violenta, é igual a morte de criança inocente.
Minutos antes do fatídico tiroteio, o taxista Paulo Roberto Barbosa Soares, pai de João Roberto, trabalhava próximo à região. Ao receber a ligação da esposa, Soares se desesperou ao tomar conhecimento que seu filho estava baleado na UTI.
Em depoimento publicado no jornal O Estado de S. Paulo, do último dia 8, Soares transpôs todo o sofrimento da família, abalada por essa 'crueldade'. Por conta do sentimento generalizado de nada pode ser feito, o pai escreve que até o momento, ninguém veio 'acalantá-lo', nem pedir desculpas pela crueldade que foi feita com sua família – como se isto pudesse reparar, de forma digna, a perda do menino João. É doloroso assumir o quanto muitos Soares estão prostrados pelo Brasil.
O niilismo passivo é o que restou, esta é a sensação natural em nosso país. Pessoas são presas, indenizações são pagas, mas o que não se discute é que vidas de milhões de cidadãos estão nas mãos dos senhores da lei. Em nenhum momento se pergunta: quem tem o direito de tirar o ar alheio em nome do bem estar social?. Num país onde a cultura policial valoriza a morte dos supostos bandidos, e não a segurança da população, fica impossível haver justiça e dignidade, quando não há mais vida.
Mesmo os militares alegando que o carro de Alessandra ficou entre o fogo cruzado, testemunhas – e as câmeras do circuito interno de um prédio próximo ao local – contrapõem a tese, afirmando que os policiais se confundiram. O drástico é que o engano reverberou na morte do menino João Roberto, cerca de 24 horas após o incidente – além do trauma para toda a família. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, concordou que faltou preparo psicológico e operacional aos PM´s, mas infelizmente, sua compaixão não diminuiu a catástrofe. O resultado foi o esperado: polícia despreparada, somada à cidade violenta, é igual a morte de criança inocente.
Minutos antes do fatídico tiroteio, o taxista Paulo Roberto Barbosa Soares, pai de João Roberto, trabalhava próximo à região. Ao receber a ligação da esposa, Soares se desesperou ao tomar conhecimento que seu filho estava baleado na UTI.
Em depoimento publicado no jornal O Estado de S. Paulo, do último dia 8, Soares transpôs todo o sofrimento da família, abalada por essa 'crueldade'. Por conta do sentimento generalizado de nada pode ser feito, o pai escreve que até o momento, ninguém veio 'acalantá-lo', nem pedir desculpas pela crueldade que foi feita com sua família – como se isto pudesse reparar, de forma digna, a perda do menino João. É doloroso assumir o quanto muitos Soares estão prostrados pelo Brasil.
O niilismo passivo é o que restou, esta é a sensação natural em nosso país. Pessoas são presas, indenizações são pagas, mas o que não se discute é que vidas de milhões de cidadãos estão nas mãos dos senhores da lei. Em nenhum momento se pergunta: quem tem o direito de tirar o ar alheio em nome do bem estar social?. Num país onde a cultura policial valoriza a morte dos supostos bandidos, e não a segurança da população, fica impossível haver justiça e dignidade, quando não há mais vida.
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Comentários
Enfim, não entrava aqui há um tempo, mas seu estilo continua intacto. Ótima análise :-)
Qualquer um que for policial e trabalhar vendo o que nós vemos vai ter essa ideologia. Ver meninas estupradas, pessoas roubadas, humilhadas por ladrões e mesmo assim mortas com crueldade sentirá uma revolta sem tamanho. Quem sabe o que é ladrão, assassino e estuprador jamais vai querer que esse indivíduo vá para a cadeia, pq após a sentença, voltam para as ruas e continuam a fazer suas atrocidades. O caso do Rio, eu mesmo digo que foi falha, mas não foi assim, a mulher parou e os policias simplismente fuzilaram, com certeza houve alguma reação brusca dela e os policiais atiraram. Quero que alguem aqui diga, que num carro com insulfilm, lacrado, vc vai saber o que tem lá dentro. Mês de julho foram mortos 28 policiais, coisa que a mídia nem deu importância, morreram pq estamos em guerra civil, onde apenas quem combate esse mal sabe o que acontece na rua. Hoje na rua os policias de São Paulo trocam tiros com bandidos de fuzis e mesmo assim, vão a luta. Se um dia a policia fizesse apenas o que ela tem obrigação de fazer, a cidade estaria mto pior que a Colombia.