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De onde mesmo? From o quê?


trabalho tosco para revista tosca sobre assunto tosco escrito por pretenso jornalista tosco



Cansados de serem intitulados como seres risíveis em shopping centers, galerias e ruas das metrópoles, os melindrosos emos resolveram dar um saudoso sim à vida, mudando as regras do seu estilo.

As lágrimas foram para a gaveta, substituídas pelo visual e pela popularidade na internet. Claro, mudar o nome também ajuda a desvincular o estigma negativo do passado. Agora, a trupe atende por “From UK”.

Inspirados no requinte de adolescentes do Reino Unido, os From UK resolveram trocar o velho mad rats do emo por scarpins e plataformas. O laquê entupiu a cabeça das garotas, que buscam perfeição e destaque com o visual. Aos rapazes, o bom e velho mullet dominou os cérebros – ou será nuca? -, mantendo um ar de original no emaranhado capilar dos meninos. Tinta e franja ainda são bem vindas – e unissex.

Na internet a história se repete: fotolog, orkut, miguxu, myspace e afins. O que parece diferenciar efetivamente a nova crew é o excesso de marketing. Os From o quê? se valem de apelidos e perfis bombásticos em sites de relacionamento para avaliar quem é digno de receber o troféu “popular”. As propagandas e os bons resultados obtidos, nesta divulgação egocêntrica, são julgados de acordo com o número de amiguinhos que cada membro consegue angariar.

A questão musical segue a linha dos antepassados, com um pequeno diferencial. O mercado nacional parece não mais saciar os garotos, abrindo espaço para que bandas gringas – não só From UK – fiquem mais populares. Funeral For A Friend e Bullet For My Valentine ganharam adeptos com o novo estilo.

Já o preconceito ainda parece assombrar os pré / pós / neo-emos. Nietzsche dizia que a tragédia é criadora da forma - e estava certo. Talvez o “pavor” do preconceito fez com que os ex-emos vissem, em sua tragédia, a oportunidade de criar novas formas para o seu estilo. Ditos punks, skinheads e metaleiros continuam a alucinar os bons moços pelas ruas.

A parte mais trágica é que no conteúdo o passado reverbera de forma marcante. Bandeiras políticas, grandes causas e reflexões continuam esquecidas. Assim como seus precursores emos, os From UK exageram no visual como forma de auto-afirmação, e se mantêm alheios a tudo o que não seja estilo e glamour. A gana por mudanças ainda é lenda no rock – e no Brasil.

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