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Nativos, semi-nativos ou pré-semi-nativos?

nativo adj. subs. masc. do Lat. nativu que nasce com o indivíduo; que é originário da zona onde vive (animal ou planta); natural; congênito; peculiar; nato; nacional; diz-se da água que nasce numa propriedade; Pois bem, guardemos esta expressão – nativos. Porém, aqui vamos estendê-la com novas formas: pré-semi-nativo , semi-nativo e novamente, o já consagrado, nativo. Em 1995, eu tinha um probleminha que, com o decorrer dos anos, tornou-se patológico – era e ainda sou viciado em Bad Religion . Na época – auge de meus 12 anos –, o BR havia acabado de lançar o disco Stranger Than Fiction . As então ‘rádios rock’ paulistanas – que praticamente não existem mais – destilavam ‘ Infected ’ e a grudenta ‘ American Jesus ’ (do disco anterior – Recipe For Hate ), popularizando-os em nosso país. Esses anos foram marcados por mudanças na banda, onde, o guitarrista Gurewitz seria substituido por um veterano do hardcore, Brian Baker – que provou durante a tour do álbum STF o casamento perfeito ent...

Juiz proíbe a entrada de presos no Cadeião de Pinheiros

Nessa segunda-feira (14), o juiz corregedor da cidade de São Paulo, Cláudio do Prado Amaral, vetou a entrada de novos presos no Centro de Detenção Provisória 2, o Cadeião de Pinheiros . Amaral determinou o prazo de um ano, para que a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) reorganize o número de inteiros à sua capacidade. Com espaço para 512 detentos, o CDP abriga 1599. O juiz argumenta que as celas têm apenas 29 metros quadrados, reduzidos ainda pelo espaço ocupado por camas e o banheiro, segundo informou ao portal globo.com. Desta forma, sobram apenas 22 metros quadrados para comportar uma média de 40 presos por cela, perfazendo o exorbitante espaço de meio metro quadrado para cada detento. Respaldado na Constituição Federal – que proíbe penas cruéis e assegura o respeito à integridade do detendo -, o corregedor sustenta que a condição desumana dos presos transforma o CPD em “um barril de pólvora para as rebeliões”. Ele avalia que, “ao descumprir a função de recuperar, deixa ...

À Daniele

Ontem, novamente, ela me lembrou o que é não ser um só. Há dias sem vê-la, soava comum existir uma breve distância entre nós, o que não é verdade. Foram vinte e poucos anos sem um único dia de distância, mesmo que inconscientemente, todos os desgostos, as desventuras, a bendita e aflita esperança, sempre foram vividos de mãos dadas. Com olhares cansados e sinceros – precisando daquelas palavras, daquela companhia e, dos conselhos óbvios que tem o peso de quem quer bem –, voltamos por um momento para nossas antigas vidas, na cena clara do jantar, vendo meu sorriso no sorriso dela, vendo meus dezoito anos exalar em outro ser. É possível querer um destino diferente e, ao mesmo tempo, querer o mesmo destino? Parece que sim. Sim, para o destino, não para o caminho. Vivendo vidas ímpares, queremos o mesmo ser livre , queremos o mesmo estar juntos para estarmos bem , queremos o mesmo amor – por vias distintas e com pessoas diferentes, cada qual a seu modo, mas da mesma forma.

Por que devemos tolerar a tristeza?

O homem crê na idéia de que pode alcançar a felicidade antes de encontrar a morte. Por isso, condiciona sua existência numa busca incessante por ela, acreditando na ilusão de que a vida oferece uma recompensa ao final. Porém, ser feliz é uma plenitude de bem-estar humano que está culturalmente imposta a nós, e nem sempre nos questionamos sobre o que isto realmente significa. Diferente da tristeza, a felicidade não nasce no homem: ela é uma criação social para tolerarmos a tristeza. Nascemos tristes e buscamos viver uma felicidade não humana; logo, não somos e nem conhecemos nós mesmos. Dizer a si que a felicidade não existe, é estar contra os padrões sociais que nos são impostos. Assim, aceitaríamos o que realmente somos - um misto de tristezas e insatisfações, que enxergamos de forma negativa. Restringimos-nos nesta busca contínua que fomenta nossa existência, representando na felicidade um ponto de chegada. Almejamos isto a todo custo em nossas vidas, para que, por outro lado, possam...

Cão sem dono

Não. Este texto não tem nada a ver com o livro ‘Até o dia que o cão morreu’ de Daniel Galera. Nem com a adaptação cinematográfica do mesmo, feita por Beto Brant e Renato Ciasca, intitulada ‘Cão sem dono’. Apesar de ter usurpado o título, estamos falando de outros cães, um sem e outro com dono, como o simpático Churras do livro/filme. Fora isso, a coisa aqui soa meio como ‘meu querido diário’. Quarta-feira passada eu caminhava pela Marginal do Rio Tietê. Aliás, caminhava não, dirigia. Após um dia chuvoso e, todas as pessoas da cidade encantadas pelo fetiche do natal, eu não esperava boa coisa. Imaginava o pior – trânsito, tumulto, compras. Mas até que a ilusória sorte estava ao meu lado, os carros andavam. E justamente por andar, a Marginal fez-me deparar com a segunda cena mais trágica deste ano (obviamente a meu ver). O clima de ‘terra da garoa’ era passado. A quarta-feira estava no seu momento de febre. Com os vidros entreabertos, Herbie Hancock me acompanhava em uma baixa intensidad...

Engarrafados

A miragem que o ar seco construira sobre o asfalto era o mais próximo da idéia de inferno que eu havia comprado. Tudo queimava. Sexta-feira, cinco da tarde, São Paulo derretia. Desenhos de um fogo invisível sopravam do chão – como se um maçarico estivesse ligado – desconstruindo qualquer sentimento de término que se tem após mais uma semana paulistana (pelo menos para mim). Eu pregava por um sábado ameno. Descendo o túnel que dá acesso ao Elevado Costa e Silva (nosso popular Minhocão), o mundo parou. Todos inertes – movimentavam-se com cautela. Ao meu redor sobrava um ou outro valente, enxugando o suor na testa e, no máximo, deferindo socos no próprio volante. Meninos se espalhavam entre carros. Forneciam amendoins, limpeza nos vidros, cuspidas de labaredas e, o mais dessemelhante, trazia uma pequenez ímpar – acompanhado por um sorrido puro e estafado. Uma vez vi em um filme que o trânsito é uma guerra de interesses. Você se torna a avenida ou rua por onde circula. Se meu logradouro é ...

Perdoe-me

Pensava em redigir algo. Parece-me que, quanto mais se pensa, menos realmente se tem meios para começar. Ao me indagar sobre o vento lá fora, o cheiro da chuva que caia e as férias que ainda não atribui utilidade; descobri que não pensava, apenas movia minha mente - como uma engrenagem de automação, ela se move, mas não resolve quando deve se mover. Tinha para mim que o real exercício do pensamento não consistia em passear pelos horríveis jargões das conversas de elevador. Precisava do não habitado, o intacto, o virginal. Só então percebi que, fora contaminado, já havia pensado. Olhava ao meu redor, observava a dupla de donzelas que se encontravam à minha frente e à minha direita. Sentia-me cercado por tudo que gurias com trinta e poucos anos gostariam de ser. A mulher de família, com óculos fundos, um sorriso médio no rosto que demonstra o semblante de quem é a boa mãe, a melhor funcionária do mês ou, para os mais dilatados, a meretriz que facilmente pode ser vista a partir das dezeno...