Ontem, novamente, ela me lembrou o que é não ser um só. Há dias sem vê-la, soava comum existir uma breve distância entre nós, o que não é verdade. Foram vinte e poucos anos sem um único dia de distância, mesmo que inconscientemente, todos os desgostos, as desventuras, a bendita e aflita esperança, sempre foram vividos de mãos dadas.
Com olhares cansados e sinceros – precisando daquelas palavras, daquela companhia e, dos conselhos óbvios que tem o peso de quem quer bem –, voltamos por um momento para nossas antigas vidas, na cena clara do jantar, vendo meu sorriso no sorriso dela, vendo meus dezoito anos exalar em outro ser.
É possível querer um destino diferente e, ao mesmo tempo, querer o mesmo destino? Parece que sim. Sim, para o destino, não para o caminho. Vivendo vidas ímpares, queremos o mesmo ser livre, queremos o mesmo estar juntos para estarmos bem, queremos o mesmo amor – por vias distintas e com pessoas diferentes, cada qual a seu modo, mas da mesma forma.
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