Que estranha quimera é o homem, ele é uma novidade, um caos,um tema de contradições, um prodígio, é juiz de todas as coisas
e imbecil, verme da terra e depositário do verdadeiro, cloaca de
incertezas e erros, glória e vergonha do universo. Somos belos
e horrendos, inteligentes e imbecis, juizes e
réus, ordenados e caóticos.
PASCAL
Senso de incompletude. Liberdade embalada em plástico, reluzente e com gosto de isopor. A felicidade é sublime e, com comicidade, vendida como algo tangível. Os itens citados, que mais se aproximam de um apático quadro clínico, remetem à constipação do homem contemporâneo.
São esses espectros de imediatismo, de individualismo e de passividade que desenham o mal estar atual. A busca pela verdade norteia o comportamento coletivo: o diferente deve ser massacrado, esta é a ética ensinada ao indivíduo. A intolerância vai eliminar os pretensos inferiores, e aí você ganhará a verdade irrefutável que tanto deseja ter.
Tudo em nome da cura deste vazio, um buraco ontológico, que deveria servir como reavaliação do eu – e que, romanticamente, seria o motor gerador de inovações. Mas vivemos o consumo, deve-se suprir esse ressentimento humano. Por isso, material e afetivo ajudarão nessa busca. A cura está no excesso, nas imagens-fantasmas da felicidade. Coma demais, goze e evite o orgasmo; já que este está atrelado ao afeto. Descarte as pessoas, desrresponsabilize-se pela política: são essas as bandeiras para perda do jogo “aleteico”.
Você precisa suprir este vazio, regular essa imbecilidade, eliminar a incerteza criando uma verdade unilateral. Transcenda à dúvida e chegue a uma representação do real - assim você poderá ordenar o seu caos e ser juiz de todas as coisas. Esta é a promessa.
Quem vai te viabilizar este paraíso? Comece pelo trabalho. Ele parece uma cadeia, mas você sentirá alívio por ter um. É ele que engrandece o homem. É ele que te faz chegar ao quinto dia útil. Dê sua vida por ele, pois, só assim, você terá acesso à outra ferramenta antívazio: o consumo.
Acorde para vencer. Acumule, prospere, tenha anseio por comprar. Viva este sonho médio. Tenha uma mentalidade de plástico e uma imagem a zelar. Você vai se tornar a extensão do que você consome, pois a felicidade é esta obrigação de mercado: ser o seu relógio, o seu carro, seu celular.
Ser deprimido é démodé. Seja um andróide de si mesmo, pois você vive numa Disneylândia cercada de malabaristas no sinal de trânsito; mas que, por sorte, o Mickey Mouse não te deixa enxergar. A plenitude do happy end está garantida, como uma vida após a morte.
São esses espectros de imediatismo, de individualismo e de passividade que desenham o mal estar atual. A busca pela verdade norteia o comportamento coletivo: o diferente deve ser massacrado, esta é a ética ensinada ao indivíduo. A intolerância vai eliminar os pretensos inferiores, e aí você ganhará a verdade irrefutável que tanto deseja ter.
Tudo em nome da cura deste vazio, um buraco ontológico, que deveria servir como reavaliação do eu – e que, romanticamente, seria o motor gerador de inovações. Mas vivemos o consumo, deve-se suprir esse ressentimento humano. Por isso, material e afetivo ajudarão nessa busca. A cura está no excesso, nas imagens-fantasmas da felicidade. Coma demais, goze e evite o orgasmo; já que este está atrelado ao afeto. Descarte as pessoas, desrresponsabilize-se pela política: são essas as bandeiras para perda do jogo “aleteico”.
Você precisa suprir este vazio, regular essa imbecilidade, eliminar a incerteza criando uma verdade unilateral. Transcenda à dúvida e chegue a uma representação do real - assim você poderá ordenar o seu caos e ser juiz de todas as coisas. Esta é a promessa.
Acorde para vencer. Acumule, prospere, tenha anseio por comprar. Viva este sonho médio. Tenha uma mentalidade de plástico e uma imagem a zelar. Você vai se tornar a extensão do que você consome, pois a felicidade é esta obrigação de mercado: ser o seu relógio, o seu carro, seu celular.
Ser deprimido é démodé. Seja um andróide de si mesmo, pois você vive numa Disneylândia cercada de malabaristas no sinal de trânsito; mas que, por sorte, o Mickey Mouse não te deixa enxergar. A plenitude do happy end está garantida, como uma vida após a morte.
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