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Estava disposto ao necessário, de filho da puta em diante. À merda aquela história de que as coisas seriam feitas depois. Nada poderia perdurar. Pouco me importa a opinião dos outros. Quando me prendi a isso foi só para me perder, me tornar risível, enganar a mim mesmo e favorecer pessoas que me queriam me ver, às claras, pelas costas. Escolhi ser. Livre ao menos ali.
Nada de “olá”, “tudo bem?” ou aquela meia dúzia de lugares comum. Ora ou outra temos de olhar à frente. Correto e sensato. É isso que o mundo diz para fazer. Balela. Não é o quê sou, segundo o manual “normas da moral e dos bons costumes”. Nem tentei ser nesse dia. Essas talvez sejam as duas piores mentiras inventadas pela humanidade: ser correto e sensato. Tudo é incorreto e insensato. Para frear as pessoas, evitar que elas explodam – o que é sempre mais gostoso – existem algumas regrinhas melosas permeando nossas cabeças. Tenho ciência disso, mas, ainda assim, minha história fora desenhada a giz branco, de paz mesmo. Típico ser tacanho.
O quê eu fora fazer ali era mais do que uma missão. Minha mesmo. Precisava forçar um indivíduo a fazer uma obrigação. Esta, pois, que não era minha, mas que influenciava definitivamente em minha vida, estava sendo protelada coisa de um par de mês. Havia prometido a mim mesmo que não perderia a linha. Claro, à revelia disso eu também prometera que, ao acaso, se o então idiota resolvesse se sentir no direito de questionar sua própria obrigação – que ele vinha, de fato, questionando –, as coisas mudariam. E mudaram. Eu estava, sim, com o repertório de impropérios ensaiado.
Ser abrupto é como beber cerveja no sol de fevereiro: o primeiro gole é mágico, o segundo é íntimo e o terceiro já é rotina. As palavras saem como litros d´água numa cachoeira. Ele, o idiota, foi quem resolveu brindar nosso primeiro gole e dizer: “você já está me irritando com isso”. Pronto. Pude então ser daqueles que cutucam na hora certa, não falar mal a troco de nada. Cada qual com suas dores. E ali, em meio a palavras de um ódio efêmero, eu não fui eu mesmo. Tento explicar isso de diversas formas, mas os muros são surdos. Porque o fato é que eu resolvi as coisas assim. Viva o jargão já que “os fins justificaram os meios”. Comi, feliz, minha ração diária de erros. Pus fogo em tudo, inclusive em mim.
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