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A vida transporta na música, na dança e no circo

A história da arte é, inevitavelmente, a história da humanidade. Os mais antigos símbolos da civilização estão sempre relacionados à produção artística de diferentes povos; em dado espaço e tempo. Diz-se que o nascimento da arte é algo imensurável. Desde sempre ela existiu, comunicando, criando novas perspectivas sobre o real.

Nos primórdios da pré-história o que se via não era efetivamente a arte, mas sim os caminhos que possibilitaram seu desenvolvimento. Tudo era feito de forma utilitária e, de certo modo, racionalista. O teatro tinha função jornalística na Grécia antiga; expondo os fatos sociais por meio das representações artísticas. Acredita-se que a dança esteja ligada a rituais e comemorações por caçadas bem sucedidas, repetindo movimentos dos animais ou até mesmo dos caçadores. Já o circo, que tem seu gene na cultura oriental, especificamente na China, utilizava a acrobacia como forma de treinamento para os guerreiros; que buscavam agilidade, flexibilidade e força.

A intenção de expressar o mundo pela arte acaba por relacionar diferentes formas da comunicação artística. A dança, normalmente, utiliza-se da música para compor seus contornos. Esta, busca inspiração no teatro ou no cinema – além de conciliar-se a outras manifestações, como o circo. Há mescla constante das vertentes artísticas.

Nesta mescla, o que se vê são corpos que falam e interagem. O teatro sem palavras da dança acaba por transmitir idéias através dos signos de movimento - com ou sem ligação musical. A empolgação e a paixão do músico ao tocar os instrumentos traz à tona angústias, desejos e anseios do mesmo. O palhaço trata o cotidiano com comicidade proposital, transparecendo, por gestos e gargalhadas, situações cotidianas que nem sempre são serem observadas.

Fora as especificidades do espetáculo, temas sociais estão relacionados à arte. A dança, em muitos casos, tem significado de resistência; nem todos os povos dançam por alegria. Além disto, a dança funciona como libertação. Os movimentos rítmicos da dança acabam proporcionando uma liberação psíquica do ser, por conta da mudança em seu comportamento físico.

O circo segue o mesmo mote, permitindo que o palhaço explicite seus questionamentos de forma cômica. No entanto, a política do “pão e circo” traz imagem negativa em relação ao espetáculo; criando o conceito, errôneo, de que a arte ilude o povo, aliena – deixando, infelizmente, à margem do debate, a máxima da arte como necessidade humana.

A dança, a música e o circo transcendem o homem e confundem realidade e arte. É neste ponto que reside a maior necessidade humana: remontar, incessantemente, a vida ao expressar seus sentimentos na arte.

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