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A corpolatria faz suas vítimas


Não raro os padrões de beleza – ou a falta destes – inquietam milhões de pessoas. Muitos homens e mulheres têm a pretensão de se enquadrarem ao que é esteticamente aceito e, focados nisto, acabam por escravizar seus hábitos mais simples em busca da perfeição. Comer menos, beber menos, dormir menos, viver menos; tudo em prol da pseudo-beleza.
Mas não paramos por aí. Modificar determinados hábitos parece não saciar a histeria estética. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam crescente aumento nos casos de bulimia e anorexia – sendo que 20% dos incidentes terminam em morte. Provocar o próprio vômito para evitar a nutrição, no caso do bulímico, ou manter-se numa fome contínua, no caso do anoréxico, não são mais problemas quando o objetivo é estar dentro do estereótipo do sublime.

Esta busca incessante confunde as prioridade humanas e acaba sobrepondo valores morais e éticos. Óbvio, alguém lucra com isso. A milionária indústria da beleza alucina seus clientes com a premissa de que, ao consumir determinados produtos e serviços – o melhor médico, a melhor academia, o melhor suplemento alimentar –, seremos felizes na forma física e mental. O sonho da juventude e saúde eterna já pode ser encontrado nos melhores supermercados e lojas do ramo. Há um self-service do belo.
No entanto, o que fica implícito é que a obsessão pela aparência causa frustração, tornando deprimidas e infelizes as pessoas cujo corpo não obedece ao preestabelecido. Jovens são estimulados a competir nesta corrida, deixando subentendido que, cumpridas as metas, o resto virá por acréscimo.
E nem sempre é o que acontece. Ao alcançar o almejado, muitos se vêem insatisfeitos, longe de serem o que lhes foi proposto – ocasionando a criação de novos pontos a serem atingidos. A vida se torna ciclo, um eterno retorno, em que o desejo contido assassina o objeto de desejo e, notadamente, faz renascer novo anseio.
Cuidar do próprio corpo, da saúde, da beleza e se preocupar em ser feliz está longe se ser um erro. Vale lembrar e assumir que todos somos vaidosos e gostamos de nos sentir bem. O que não parece tão comum é que pessoas estabeleçam o sentido de suas vidas embasadas na corpolatria; e o pior, que, focadas cada vez mais no individualismo, fiquem alheias a tudo ao redor – até mesmo às mais impiedosas injustiças e misérias.
A beleza, que num passado não tão longínquo foi atributo natural, acabou por se tornar causa de vida e, principalmente, de morte.

Comentários

Anônimo disse…
Primo, vc pode mandar esse texto pra tods as gostosas da faculdade, pra mulher que é divertida, inteligente e super interessante mas é "mó barriguda" e pode também mandar pra todas as branquinhas cheirosas de cabelo bom.
É muito simples detectar, falar sobre e até resolver o proble em um texto mas mudar nossa atitude é que faz a diferença.
Bjs
Você mora no meu coração.
sweet disse…
Uma explicação breve e diferente sobre o tema;

http://www.youtube.com/watch?v=rtMgKX8bJC8

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