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Estórias de Magoo Mcfly

Fotos por Jozzu

São Paulo e seus símbolos. Nas avenidas, nos bueiros ou dentro das galerias, sempre há algo que mostre a cara da cidade. Incluam nesta lista pessoas, principalmente as com trejeitos ímpares.
O ilustrador Magoo não é exceção e digo o motivo. Na região da avenida Paulista com rua Augusta sabe-se bem de quem estamos falando. Segundo o próprio, são mais ou menos 15 anos nas ruas: “boteco, grafite, rock, arte”.
Chovia levemente. Num início de noite fria acabamos por escolher a mesa próxima ao forno. Magoo, cujo verdadeiro nome não revela, desenha desde a infância – mas somente em 1993 é que começou a tentar carreira profissional.
Foi na escola Panamericana de Artes que ele ficou mais técnico – em diversos aspectos. Nos 4 anos que estudou por lá apreendeu muita coisa, mesmo contrariando o que os professores pediam: “eu não fazia os desenhos propostos. Criava coisas bizarras, mas era aprovado”. Mesmo assim, o rebelde comenta que tinha relação amigável com os instrutores, sendo proveniente deste laço a bolsa que o manteve na escola.
“O mais engraçado era a burguesada que estudava por lá. Os pais, cansados de mandar os filhos para o psicólogo, resolviam partir para a arte como forma de terapia ocupacional dos problemáticos”, relembra aos risos o artista. Nessa época ele se especializou em outra técnica: “Eu sugava os playboys, vivíamos no boteco tomando cerveja na conta dos meus amigos. Os caras eram tão losers que pagavam com cerveja, ou até com grana, para que eu fizesse os trabalhos deles”.
Profissionalmente, a coisa não era tão divertida. O primeiro trabalho foi numa agência publicitária, fazendo quadrinhos para revistas infantis. “Criávamos esquetes o dia todo. Era até legal, Jay, mas nunca publicaram nada”, elucida Magoo. Ainda no início, diz ter produzido muitas coisas para marcas de skate, como a New Skate Rock e a Drop Dead, desenhando ilustrações para camisetas, shapes e afins.
A pizza chega e a cerveja acaba. Famintos, dilaceramos tudo que era azeitona e peperoni que se via pela frente. Alimentado e com nova garrafa à mesa, Magoo fala que os balões são comuns no trabalho: “tem muita gente esperta por aí”. Confessa ainda que no início da sua carreira não sabia cobrar o preço justo por sua arte: “trabalhei uns 2 anos para uma marca de roupas”, cujo nome prefere não revelar. “O símbolo deles”, continua, “que até hoje tem excelente aceitação do público, custou um preço que podemos chamar de simbólico. Eu não tinha noção da proporção que a coisa ganharia”.
Fora trabalhos a preços irrisórios, Magoo fez muitas coisas sem cobrar por opção. É o caso do rato contido no disco Anarkophobia, da banda punk Ratos de Porão. O desenho é do mestre Marcatti – cujo Magoo tem grande admiração. “Fui convidado para envelhecer o desenho do Marcatti no 20º aniversário do RxDxPx. Eu não queria nem cobrar pelo trabalho, só a honra de fazer algo em cima de desenho do cara já valia o preço”, conta o cartunista. Por fim, João Gordo não aceitou o presente e acabou pagando pelo desenho.
Recentemente o artista realizou exposição na Galeria Choque Cultural – que trouxe maior visibilidade à sua arte, principalmente fora da cena underground. Os bons resultados foram colhidos em projetos para grandes empresas, como Fiat, MTV e Coca-Cola. Apesar da liberdade de trabalhar em horários e lugares que ele mesmo escolhe, Magoo confessa que a falta de 'certezas' às vezes o desanima: “têm meses que eu fico sem fazer nada. As contas vencem, a grana acaba. Mas ao mesmo tempo, ainda julgo ser válido fazer o que sempre sonhei, mesmo que o sonho insista em mudar de lugar frequentemente”.

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